Johayne Hildefonso

  • AfroReggae
  • 4 de maio, 2014
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Sempre com um sorriso. É, provavelmente, assim que você vai ver o Johayne Hildefonso andando por aí. E ele costuma andar bastante: sua rotina, normalmente, é não ter uma. Mas, esta é não uma opção incômoda para ele. “Não tinha nada planejado, mas eu amo o que eu faço”.

Ele é diretor do artístico do AfroReggae e, suas atividades, assim como as do Grupo Cultural, não tem hora para terminar, ainda bem! Quem conversa com Johayne, mal sabe que ele entrou para o teatro, aos 18 anos, para perder a timidez.

De lá para cá, muito se passou, um ator teatral nasceu e se transformou em um diretor artístico, mas tudo aconteceu de uma forma tão despretensiosa e natural. Talvez seja por isso que Johayne mantém o passado e futuro próximos em uma espécie de carrossel de memórias afetivas. “A primeira vez que eu fui à Vigário Geral, fiquei emocionado. Queria dar aulas de teatro. E o que eu mais queria era material humano e isso eu encontrei lá”.

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Johayne e a Trupe de Teatro AfroReggae

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Das ruas de São Gonçalo para as ruas de Vigário Geral, o menino que nasceu do outro lado da poça, começou a trabalhar cedo, aos 15 já dava aulas de natação em um clube perto de casa. Três anos depois, em 1988, entrou para o Teatro Tablado e teve como tutora Maria Vorhees. E foi ela uma das grandes responsáveis por incentivá-lo a escolher as artes cênicas para ganhar a vida, mesmo após ter se formado no curso técnico de Educação Física.

Maria percebeu a vocação no jovem, que, com tempo, se tornou seu braço direito e, foi através dela que ele conheceu Guti Fraga, do “Nós do Morro”. Um tempo depois, em 1996, Johayne começou a trabalhar como coreógrafo para companhia de teatro nascida no Vidigal, favela da Zona Sul carioca. No mesmo ano, o espetáculo Abalou, da trupe, foi indicado ao Prêmio Coca Cola de Teatro Jovem.

Cinco anos depois, o AfroReggae começou a desenvolver o “Rebelião Cultural”, projeto que levava circo, percussão e teatro para a penitenciária feminina Talavera Bruce. E o “Nós do Morro” foi convidado para dar aulas. E foi aí que a história o AfroReggae e o Johayne deram as mãos. No mesmo ano, a então Banda AfroReggae, a atual AR21, foi convidada para se apresentar no Rock in Rio. E o futuro diretor artístico, em parceria com Guti Fraga, criaram a coreografia de “Me espere, hit da banda naquela época.

Pouco tempo depois, José Junior lhe fez um convite: queria que ele assumisse a Trupe da Saúde, grupo que costumava encenar espetáculos sobre DSTs e prevenção da dengue e depois deu origem a Trupe de Teatro AfroReggae. Dito e feito. Com liberdade para experimentar e com uma grande empatia com seus pupilos, Vigário Geral passou a fazer parte do dia a dia de Johayne e a vida de seus alunos passou a fazer de sua vida também.

E o casamento dura até hoje. Como todo relacionamento longo dá trabalho, Jo, como é carinhosamente chamado, tem uma resposta simples para não cair na rotina: “o segredo é não se acomodar e não esquecer dos primeiros anos.” E, foi assim que ele conseguiu revelar talentos da dança, do teatro e da música. Hoje, ele é coordenador do Centro Cultural Waly Salomão, diretor artístico do AfroReggae e professor do Teatro Tablado. E tudo isso sem perder o fôlego: o dia em que eu não me emocionar mais, tem alguma coisa errada”.

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