Jovens negros morrem 147 vezes mais do que os não-negros no Brasil

  • AfroReggae
  • 22 de março, 2016
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No Brasil, o jovem negro tem 147 vezes mais chance de ser vítima de homicídio do que um jovem não negro. Este e outros dados alarmantes foram divulgados nesta manhã (22/3) pelo (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Centro do Rio.
O estudo realizado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a partir dos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, revela dados sobre a evolução de homicídios no Brasil e ressalta pontos como letalidade policial, aumento do número de morte entre jovens e da população negra.

Número total de homicídios no Brasil entre 2004 e 2014, segundo o Atlas da Violência(Ipea/Divulgação)

Número total de homicídios no Brasil entre 2004 e 2014, segundo o Atlas da Violência(Ipea/Divulgação)

Com relação aos números expressivos de assassinatos de negros, de acordo com a pesquisa, este fato não se dá apenas pela diferença socioeconômica, mas também pelo racismo institucionalizado. A abordagem e o tratamento dado a população negra é diferente do jovem não-negro de mesma idade e classe social.

Cerca de 10% de todos os homicídios no mundo, em 2014, ocorreram no Brasil. Em números absolutos, foram 59,6 mil assassinatos, deixando o Brasil como campeão de mortes desse tipo. Por outro lado, entre 2010 e 2014, aumentou o número de estados com queda nas taxas de homicídios, passando de 8 para 12, com destaque para quedas no Paraná (-20,9%) e no Espírito Santo (-14,8%), que pela primeira vez, desde 1980 não ficou entre os estados mais violentos do país. A taxa caiu 1,3% e o posicionou junto a outros estados que diminuíram essas taxas, como São Paulo (-52,4%), Rio de Janeiro (-33,3%), Pernambuco (-27,3%), Rondônia (-14,1%), Mato Grosso do Sul (-7,7%) e Paraná (-4,3%).

O ápice da mortes entre jovens ocorre aos 21 anos de idade e nesta faixa etária o número é ainda maior entre os que possuem menos de 7 anos de estudo. Com o acesso a educação o número poderia cair 41%, segundo a simulação feita pelos pesquisadores.

O estudo também abordou as questões de gênero e ressaltou a importância de políticas públicas voltadas para a mulher e o aumento de projetos de lei como a Maria da Penha.

Os dados confirmam a necessidade de uma reformulação no nosso modelo de segurança pública, de forma a garantir não apenas a ordem, mas também direitos à toda população. A política de enfrentamento entre a população e policiais, demonstra falha em nosso sistema. Tanto o cidadão, quanto os agentes da lei se sentem inseguros e desprotegidos. Os estados que conseguiram reduzir homicídios, contam com políticas contínuas de segurança e incentivo ao desarmamento, entre outras.

Confira a pesquisa na íntegra através do site: www.ipea.gov.br