Tekko Rastafari

  • AfroReggae
  • 5 de maio, 2014
CompartilharTweet about this on TwitterShare on Google+Share on Facebook

De uma barraca na Cinelândia à transformação social de diversas vidas. Tekko é um dos criadores do Grupo Cultural AfroReggae e diz que não pode viver sem trabalhar com os jovens.

“Aqui é minha segunda casa”

Era início dos anos 90 e Luiz Fernando Lopes tinha uma barraca na Cinelândia que vendia artigos dos movimentos sociais da época. Frases de fortalecimento da luta dos trabalhadores, imagens do movimento negro, citações de músicas faziam sucesso e atraíam aqueles que acreditavam que podiam mudar o mundo. Na barraca do Tekko começaram a se reunir vários artistas e ativitas da cultura afro e passou a ser o local de reunião dos movimentos culturais negros da época. Foi lá que aconteceu a potente aproximação com José Junior, levado por Plácido Pascoal. “Ele era bem tímido e queria fazer um evento de reggae depois que os bailes funk que produzia começaram a ser proibidos”.

gd

tekko-600-385

Tekko na primeiras oficinas.

gf

Foi ali mesmo na barraca que Tekko foi ampliando a rede que daria origem ao AfroReggae. Fã-clube do Bob Marley, grupo de dança afro, radialistas, toda essa galera se juntou para realizar o que seria a Rasta Reggae Dancing. “O evento ficou lotado e foi o maior sucesso. Até prêmio a gente deu na festa. As camisas e os bonés fui eu que produzi”, orgulha-se. Depois disso, as comidas que tinha sobrado da festa viraram desculpa para outros encontros da equipe, que acabou se tornando um grupo de debate e divulgação da cultura afro. “Foi dessas reuniões que nasceu a ideia do jornal e então nasceu o AfroReggae”.

 

Com algumas edições rodadas  a partir da ajuda de amigos, o AfroReggae Notícias foi a consolidação do grupo que começou a trilhar o caminho do trabalho social. “Isso ficou muito forte quando soubemos da chacina de Vigário. O Júnior quis fazer alguma coisa lá”. Mas Vigário estava devastada e a comunidade não se mobilizava com medo do que tinha acontecido. “Enfrentamos muitos problemas com policiais e a imprensa, mas fomos perseverantes”.

 

Depois de dos momentos iniciais, com o apoio de artistas e empresas o AfroReggae cresceu e Tekko sempre acompanhou. Ele fez de tudo um pouco: tesoureiro, responsável pela distribuição do jornal, confecção de camisas, divulgação de produtos e parcerias, e ajudou nos primeiros programas de rádio. “Eu vi as conquistas do Grupo despertarem os jovens. E vi os jovens construírem o AfroReggae. É por isso que acredito muito neles”.

 

Hoje, aos 59 anos, ele divide seu tempo entre a faculdade de design e a dedicação a dar suporte aos trabalhos. Sua presença incentiva os jovens e auxilia na criação de uma memória do AfroReggae, com um trabalho de identificação e organização dos arquivos e fotos do Centro de Documentação. “Minha história e a do AfroReggae estão misturadas. E eu acredito que a trajetória do Grupo ajuda a contar também a história da evolução cultural das comunidades em que atuamos”. E haja transformação!

5 respostas para “Tekko Rastafari”

  1. Herbeson disse:

    Esse cara é gente boa demais!! Grande Tekko Rasta!

  2. pri fortunato disse:

    maravilhoso, referência total!
    <3

  3. Alexandre Hagge disse:

    Sem palavras!
    Abraços TEKKO!

  4. ciryllo disse:

    Grande Tekko
    A um bom tempo conheci esta pessoa nos bons tempos da Lapa nos anos 80 com grandes ideias e discurso em pró do movimento negro. Guerreiro!!!!!!!!!! um grande Axé pra você.

  5. Olá Tekko conheço-o de nome e de vista. Porém adoraria conhecê-lo pessoalmente. Se isso for possível por favor me envie um email. Grande abraço.

Comentar