Contra a barbárie, a lei

  • AfroReggae
  • 6 de outubro, 2015
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Metade das grandes cidades brasileiras acredita que “bandido bom é bandido morto”. Os dados são da pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O instituto ouviu 1307 pessoas de 84 cidades com mais de 100 mil habitantes.

O percentual que apoia a prática do mal pelo mal é assustadoramente alto, considerando que a legislação brasileira não contempla a prisão perpétua, tampouco a pena de morte.

Casos como o do menino Eduardo Felipe, de 17 anos, que já tinha anotações criminais e foi morto no Morro da Providência, no Centro do Rio, reacenderam a discussão, que repercutiu até mesmo na mídia internacional.

Cabe ressaltar que a polícia brasileira é a que mais mata, e também a que mais morre no mundo. Em 2014, a cada três horas uma pessoa foi morta pela polícia no Brasil. Um número 37% acima do ano anterior. As vítimas, em sua maioria, são negros, jovens e pobres. Apenas no ano passado, 398 policiais morreram, de acordo com Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o custo da violência do Brasil é de 250 bilhões por ano.

O AfroReggae, ao longo de 22 anos de existência, trabalha com base em dez princípios básicos, que fazem parte de seu manifesto, entre eles:

* Todos devem ter oportunidades;

* Todos merecem uma segunda chance;

* Nunca desistimos de resgatar a cidadania e a liberdade de qualquer um que nos procure;

* Nenhum jovem pode ser alvo para o crime.

Tanto que, em 2008, criou a Segunda Chance, primeira agência de empregos do país formada por egressos para atender egressos. São centenas de ex-presidiários recolocados no mercado formal de trabalho através de convênios com empresas parceiras no Rio e São Paulo.

A ONG também faz mediação entre diversas pessoas que desejam largar o crime e se entregar à justiça. Este trabalho é desenvolvido em parceria com a Secretaria de Segurança Púbica do Rio e também com a Vara de Execuções Penais.

O AfroReggae acredita que algumas ações pontuais devem ser priorizadas pelo Estado, como investimento para a melhoria das prisões brasileiras, um atendimento jurídico e de saúde que funcione, além do estímulo à educação e cursos profissionalizantes para facilitar uma reinserção dos apenados quando obtiverem a liberdade.

Em paralelo, um melhor treinamento nas escolas de polícia e, principalmente, investigações isentas e punições exemplares para os desvios de conduta, podem fazer, a longo prazo, que este perverso quadro se altere.

Todo indivíduo que comete qualquer crime deve responder pelos seus atos perante a justiça -sendo garantida a sua integridade física -, e conduzido a uma delegacia policial, onde terá direito de defesa; posteriormente, será julgado e, se condenado, cumprirá pena estabelecida por um juiz. É assim que manda a lei. Fora disso, é cometer outra transgressão. É barbárie.

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